PostHeaderIcon João Ribeiro, Bacharel

Filho de Manoel Joaquim Fernandes e D. Guilhermina Ribeiro Fernandes, nasceu a 24 de junho de 1860 na cidade de Laranjeiras. Iniciou os primeiros estudos na cidade natal e completou o curso de humanidades no Ateneu Sergipense de Aracaju em 1880. Em 1881 seguiu para o Rio de Janeiro, onde reside, 1924, com o fim de matricular-se em uma das Academias. Dedicando-se ao magistério particular, lecionou nos colégios D. Pedro de Alcântara, Alberto Brandão e outros, aplicando-se com todo ardor à lingüística em que se tornou notável. Em 1885 exerceu o cargo de oficial da Biblioteca Nacional, lugar para o qual foi nomeado após concurso, deixando-o em novembro de 1890.

Em 1887 submeteu-se a concurso para a cadeira de Português do Colégio Pedro II, hoje Ginásio Nacional, e em 1890 foi nomeado para a de História Universal. Bacharelou-se em 1894 em ciências sociais pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro e em 1896 foi à Alemanha, comissionado pelo Governo Federal, para o estudo da Instrução naquele e em outros países, representando no mesmo ano o Brasil na Confederação de Dresde sobre a propriedade literária.

No ano seguinte (1897) representou oficialmente o Brasil no Congresso reunido em Londres para a organização do Catálogo internacional. Foi, em abril de 1911, nomeado para reger o ensino de sintaxe portuguesa do Pedagogium e em 1914 partiu para a Suissa, fixando residência em Genebra, a fim de prosseguir nos seus trabalhos luteranos, tendo regressado em setembro do mesmo ano. É uma acentuada individualidade literária e uma das organizações mais bem dotadas da atual geração brasileira.

Tradutor admirável e filólogo distinto, públicou três gramáticas da língua portuguesa, correspondente aos três graus do ensino da língua, – primário, médio e superior – as quais foram adotadas no ensino oficial. Como poeta, tem entre outros trabalhos uma coleção de poesias que primam pela pureza da linguagem e escrupulosa correção da forma. É também um prosador distinto, como se vê dos seus diversos artigos críticos e contos primorosos. Membro do Instituto Filológico Brasileiro e sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo, é um dos quarenta imortais da Academia Brasileira de Letras, o primeiro sergipano que foi eleito e que ocupa com brilho a cadeira de Luiz Guimarães Júnior. Tem colaborado em grande número de revistas, jornais e outras publicações: Revista Brasileira, Através da Semana (nas 2 épocas), Revista da Língua Portuguesa, Globo, Gazeta da Tarde, Novidades, Época, Correio do Povo, País, Jornal do Comércio, Correio da Manhã, Imparcial e Revista Americana (Rio de Janeiro); Comércio de S. Paulo (São Paulo) o no Almanaque Garnier a começar do ano de 1907. Usou o pseudônimo Rizóforo no “Correio do Povo” e “Através da Semana”. Rio de Janeiro.


Escreveu:
– Dedicatória à Virgem de Lamartine. Tradução. No “Jornal do Comércio”. Aracaju, 4 de novembro de 1877.
– Tenebrosa luz: poesia. Por ocasião da morte da inocente filhinha do Exmo. Sr. Dr. Luiz A. L. de Oliveira Belo. No “Jornal de Sergipe”, de 9 de abril de 1881.
– Idílios modernos. Rio de Janeiro, 1882. in. 8º. O Dr. Sílvio Romero dando notícia do poeta e deste livro na “Revista Brasileira”, tomo 9º, pág. 265, transcreve de suas composições as que têm por título: Sombra, Esboços, Entre esposos, Diafaneidade e To be or not to be (carta particular).
– Dias de sol: versos. Rio de Janeiro, 1884, 62 págs. in. 8º.
– Estudos filológicos: morfologia e funciologia. Rio de Janeiro, 1885, 72 págs. in. 8º. é uma coleção de escritos sobre a ciência de sua predileção e uma poesia em linguagem arcaica. Tip. da “Gazeta de Notícias”. Esta obra teve 2ª edição no Rio de Janeiro (1902). Liv. Jacinto R. dos Santos.
– Avena e Cítara: versos. Rio de Janeiro, 1886, 64 págs. in. 16º. Tip. Hildebrando. Estes dois pequenos volumes foram fundidos em um só e publicados sob o título Versos, como adiante se vê.
– Morfologia e colocação dos pronomes: tese de concurso de português do externato do colégio Pedro II. Rio de Janeiro, 1886, 80 págs. in. 12º. Tip. Hildebrando. (Esgotada).
– Tese de concurso – para inspetor de ensino. Minas, 1886.
– Gramática portuguesa: 1º ano. Rio de Janeiro 1886. Edit. Alves & Cia. Teve 2ª ed. em 1890 e hoje está na 83ª (1920).
– Gramática portuguesa: curso médio (2º ano). Rio de Janeiro, 1887. Edit. Alves & Cia. Está na 34ª edição. (1920).
– Gramática portuguesa: curso superior (3º ano). Rio de Janeiro, 1887. Edit. Alves & Cia. Está na 19ª edição. (1920).
– Exercícios de Gramática elementar; Rio. Alves & Cia.
– Exames de português. Lições de gramática portuguesa coordenadas segundo o programa de 1887. Rio de Janeiro, 1887. Este livro teve 2ª edição em 1888, terceira em 1889 e há outras.
– Dicionário Gramatical. Rio de Janeiro, 1889. Editores Alves & Cia. Está na 2ª edição (1904), esgotada.
– A Instrução pública: primaria, secundaria e técnica (memória escrita para o concurso ao lugar de Diretor da Instrução Pública do Estado de Minas Gerais) – Rio de Janeiro, 1890, 74 págs. in. 12º. Tip. Montenegro.
– Versos. Rio de Janeiro, 1890. Tem 2ª edição aumentada em 1902; e 3ª edição do mesmo ano. Rio, 314 págs. in. 12º, contendo poesias inéditas. Editor Jacinto Ribeiro dos Santos.
– História antiga. Oriente e Grécia. Rio de Janeiro 1892, in. 8º. Teve 2ª edição publicada pelos editores Jacinto R. dos Santos em 1894.
– Ensino cívico. A História do Brasil ensinada pela biografia de seus heróis por Sílvio Romero com prefácio e um vocabulário por... Rio de Janeiro.
– Discurso, proferido na solenidade da distribuição dos prêmios e colação do grau de bacharel em ciências e letras em 24 de dezembro de 1892. Rio de Janeiro, 1893, in. 4º. É precedido de outro discurso do Diretor do Ginásio Nacional.
– Autores Contemporâneos. Rio 1894. Está na 13ª edição refundida com grande número de anotações.
– História do Brasil: curso primário. Rio 1900. Editores Jacinto R. dos Santos. Está na 7ª edição publicada pelos Srs. Alves & Cia. (1920).
– História do Brasil: curso médio. Está na 8ª edição. Editores Alves & Cia., 1918.
– História do Brasil: curso superior. Rio. 1900, 314 págs. in. 8º. Editores Jacinto Ribeiro dos Santos. Está na 3ª edição publicada pelos Srs. Alves & Cia.
– História do Brasil: edição do Centenário. Editores Alves & Cia.
– Memória histórica apresentada à Congregação do Ginásio Nacional. 1901. Rio, 1902, 34 págs. in. 8º. Imprensa Nacional.
– Memória dos sucessos ocorridos no Ginásio Nacional no Ano de 1903. Rio 1904. (publicação oficial).
– Obras poéticas de Cláudio Manoel da Costa (Glauceste Saturnio). É uma nova edição contendo o que ficou inédito ou ainda esparso, e um estudo sobre a sua vida e obras. Rio 1903, 2 vol. in. 18º.
– Páginas escolhidas: Academia Brasileira de Letras. Rio, 1904. Editores Garnier. Está na 2ª edição de colaboração com Mário de Alencar. 2 volumes.
– Seleta Clássica com anotações filológicas, em complemento das doutrinas expostas no curso superior da Gramática Portuguesa do mesmo autor. Rio de Janeiro, 1905, 310 págs. Livraria Francisco Alves. Está na 3ª edição muito melhorada (1914). Sobre este livro diz José Veríssimo no “Kosmos”: “Não duvido dizer que a Seleta Clássica do Sr. João Ribeiro é entre todos que conheço da língua portuguesa, a única que não é uma simples e bruta especulação de livraria ou de autoria. Nesse gênero o que até agora tínhamos era absolutamente sem valor. Essa é a primeira que ao cuidado e discernimento na escolha pinta o trabalho valioso das notas eruditas, explicando, comentando, ilustrando os textos transcritos”.
– Páginas de Estética. Lisboa, 1905, 170 págs. in. 8º. pq. Editora Viúva Tavares. A respeito desta obra publicada em Lisboa, diz o “Notícias de Lisboa”, de 5 de agosto: “é por certo uma das mais preciosas jóias da contemporânea literatura brasileira escrita em linguagem que mesmo em Portugal bom seria que fizesse discÍpulos”.
– Cartas de mal dizer: prólogo de um livro inédito. No “Kosmos”, revista artística, científica e literária do Rio de Janeiro, nº de janeiro de 1905.
– Crepúsculo dos Deuses: contos e histórias traduzidas do Alemão. Lisboa, 1905, 196 págs. in. 8º pq.
– Compêndio de História de Literatura Brasileira. De colaboração com Sílvio Romero. (Vide este nome). Rio, 1906, LXIX– 495 – VIII págs. in 8º. pq. Tip. da Livraria de Francisco Alves.
– Notas de Terminologia Médica Portuguesa pelo Dr. Plácido Barbosa: estudo crítico. No “Os Anais’ de Domingos Olímpio, Rio de Janeiro, ano III (1906) nº 85, págs. 343 a 345.
– Frases-feitas. Estudo conjetural de locuções, ditados e provérbios. Rio, 1908, 302 págs. in. 12º. Editores Francisco Alves & Cia. 2 volumes.
– Fabordão – Crônica de vários assuntos. Rio, 1910, 366 págs. in. 16º. H. Garnier Livreiro Editor. É, na expressão do autor, uma série de pequeninos estudos de bibliografia, folclore, filologia, crítica documental e outras contribuições menores de vários assuntos.
– Satíricos portugueses: reedição do VI, volume de Parnaso lusitano. Rio 1910. Com introdução crítica de João Ribeiro. Editora Livraria Garnier.
– Teatro de Antonio José: Edição Popular precedida de notícia crítica e bibliográfica de João Ribeiro, contendo as “Obras do Diabinho da mão furada” Paris, 1911, 275 págs. in. 16º. H. Garnier Livreiro Editor.
– Coração por Edmundo de Amicis. Tradução brasileira feita da 101ª edição italiana. 25ª edição cuidadosamente corrigida. Rio, 1912, 276 págs. in. 12º. Livraria Francisco Alves.
– Exames de admissão para os ginásios, de colaboração com Raja Gablagia. Rio 1916. Editores Alves & Cia.
– História Universal – Rio 1918. Elaborado de acordo com o programa do Colégio Pedro II. Edit. Jacinto R. dos Santos. 2ª edição em 1919. No prelo 3ª edição.
– Crônica Literária. No “‘Correio de Aracaju”, de 7 a 10 de agosto de 1918. (Transcrição).
– O Folclore: estudos de literatura popular. Rio 1919, 328 págs. in. 12º. Edit. Jacinto Ribeiro dos Santos.
– Notas aproveitáveis sobre a Língua Nacional. Edição da “Revista do Brasil”. S. Paulo, 1921. Neste livro o autor dá a etimologia e significados dos principais brasileirismos enumerados em ordem alfabética num índice de coisas. XVII págs. in. 12º. Editores Monteiro Lobato & Cia.
– Cartas devolvidas. No “Correio de Aracaju”, de 8 de dezembro de 1922. Transcrição do “O Jornal” da Capital Federal.
– Notas de um estudante. Estudos nacionais e apontamentos de origem alemã. Notas de história, de arte e de ciência. S. Paulo, 1922, 242 págs. Editores Monteiro Lobato & Cia., 223 págs. in. 12º.
– Colméia, O primeiro galicismo. No “O Diário da Manhã”. Aracaju, de 20 de outubro de 1923.
►Data de morte: 13 de Abril de 1934, no Rio de Janeiro (RJ).

 

 

FONTE:
GUARANA, Armindo.Diccionario Bio-Bibliographico Sergipano: Rio de Janeiro, 1925.
Esta obra poderá ser encontrada na Biblioteca Ephifânio Dorea - Aracaju-Se.

 
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