PostHeaderIcon Ivo do Prado Montes Pires da Franca, General

Filho do Tenente coronel honorário Deusdedit Pires da Franca e D. Ana Leonor do Prado Montes da Franca, nasceu em S. Cristóvão a 20 de maio de 1860. A 14 de outubro de 1875 saiu de Aracaju para a capital da Bahia, onde esteve até 2 de janeiro de 1878, data em que seguiu com destino à Escola de Cavalaria e Infantaria do Rio Grande do Sul, depois de ter verificado praça a 17 de maio anterior no 16º Batalhão de Infantaria.
Depois de ter estado no Primeiro Regimento de Artilharia a Cavalo, durante o ano de 1879, matriculou-se na referida escola no começo de 1880, ali fazendo o curso de cavalaria e infantaria, que terminou em fins de 1883, conquistando a nomeação de alferes aluno, a 8 de março de 1884, confirmada por antiguidade a 12 de janeiro do mesmo ano. Em 1885 voltou à terra natal para servir na antiga Companhia fixa da província, até janeiro de 1886, quando resolveu continuar seus estudos na escola Militar da Praia Vermelha, onde concluiu o curso de artilharia.


Desligado em 1887 por motivos derivados de questão militar e matriculado na antiga Escola Geral de Tiro, fez ali o respectivo curso com aprovações plenas. Em 1888 voltou à Escola Militar da Praia Vermelha, onde matriculou-se no 4º ano, fazendo o curso do Estado maior de 1ª classe. Desligado no ano seguinte, ficou servindo no 2º Regimento de Artilharia de Campanha, para onde foi transferido posteriormente e nomeado secretário. Neste posto entrou na conspiração de 15 de Novembro de 1889, que deu em resultado a proclamação da República. Em dezembro desse ano foi posto pelo Governo provisório à disposição do Ministro do Interior e por este nomeado auxiliar técnico do Governador de
Sergipe, que o encarregou do comando e organização do Corpo Militar de Polícia do Estado. Como representante de sua terra natal, foi eleito deputado à Constituinte da República, exercendo com brilho e civismo o mandato de deputado federal de 1890 a 1894, pronunciando o famoso discurso em oposição ao governo do marechal Deodoro da Fonseca, a propósito da eleição do coronel Vicente Ribeiro para o cargo de governador do Estado de Sergipe. E, com a coragem cívica que o nobilitava, declarou que a sua oposição ao governo do marechal iria desde o seu voto naquela casa, até a resistência armada na praça pública.


Em 1895 foi nomeado professor e chefe do ensino de artilharia na “Escola de Sargentos” no Realengo, servindo até 1897, época em que foi extinta a referida Escola. Em dezembro desse ano seguiu para Mato Grosso, indo servir no 2º Batalhão de Artilharia de Posição, onde comandou a sua bateria e outras, interinamente; fiscalizou, por duas vezes o Batalhão; comandou o forte de Coimbra; serviu mais de um ano como secretário do 7º Distrito; realizou com elogio, a montagem do Laboratório Pirotécnico de Cuiabá, e terminou por comandar o batalhão, por espaço de 7 meses, até 10 de dezembro de 1902, quando seguiu para a capital federal, atendendo ao chamado do Ministro da Guerra.
Em abril de 1903 foi de novo para Mato Grosso em conseqüência dos boatos que corriam sobre a provável invasão de Corumbá pelas forças do General Pando. Daí voltou em setembro seguinte por ter sido confirmado no posto de major do Estado Maior de Artilharia e nomeado chefe do gabinete da Intendência geral da guerra, onde serviu até 20 de novembro de 1906, data em que foi nomeado assistente do chefe do Estado Maior do Exército. Comissionado pelo Ministério da Guerra, foi em 1910 aos Estados do Norte, a começar pelo seu, a fim de coligir dados para a história militar do Brasil. Neste ano foi promovido, a 7 de dezembro, a tenente coronel por merecimento. De 1912 a 1913 comandou, em Manaus, o 19º grupo de artilharia de montanha, e interinamente, durante cinco meses, a 1ª Região Militar.


Ainda por merecimento foi neste último ano, a 18 de junho, promovido a coronel. Comandou, de 1913 a 1916 em Curitiba, o 2º Regimento de Artilharia de montada; de 1916 a 1918 serviu como chefe do Estado Maior da 3ª Região, que comandou interinamente por três vezes, e de 1918 a 1821 esteve como chefe da 4ª Seção do Estado Maior do Exército e do 2º departamento da mesma repartição.

Nomeado delegado do Estado de Sergipe ao Congresso de Geografia reunido em Belo Horizonte, em setembro de 1919, desempenhou com raro brilhantismo esta comissão, apresentando uma substanciosa memória, restabelecendo a verdadeira posição geográfica do rio Real, memória que, amplamente aumentada, teve depois a denominação de “A Capitania de Sergipe e suas Ouvidorias”. Foi no posto de coronel compulsado em 1921, como general de divisão, por contar mais de 43 anos de relevantes serviços. Pertenceu a várias sociedades literárias e científicas, nomeadamente – “Emancipadora Rio Branco”. “Clube Acadêmico” de Porto Alegre “Clube Militar” do Rio de Janeiro, de que foi um dos fundadores, e foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Foi Ivo do Prado um dos sergipanos de mais elevado merecimento. Como militar, propagandista e um dos proclamadores da República, sua atuação sempre foi nobre e benéfica. Político, seu ideal colimou a autonomia dos pequenos Estados no seio da Federação Nacional. Jornalista, fez de sua pena uma arma de combate a favor da regeneração de costumes deletérios. Positivista à Comte e materialista a Büchner, tornou-se ao fim teosofista, evolução espiritual explicável pela natureza de seus sentimentos, pelas qualidades excepcionais de seu coração. Representou ainda a sua terra natal à constituinte republicana de 1921 a 1923. Inteligente e bom, difícil seria assinalar o que nele mais se afirmou: se o talento, servido por vasta erudição, se a bondade, constatada em todos os atos de sua vida pública ou particular. E eis por que, por ocasião de sua morte, realizada no Rio, em 25 de abril de 1924, suas exéquias assumiram as proporções de uma glorificação. Pranteou-a toda a colônia sergipana ali residente, todo o Sergipe intelectual e político que naquele instante perdia um dos seus filhos mais ilustres e a República um de seus mais leais e denodados defensores. Foi um couseur admirável e um arguto polemista. Nós, os sergipanos, somos-lhe devedores da extraordinária defesa dos direitos de Sergipe na secular pendência de limites com a Bahia. O seu livro “A capitania de Sergipe e suas ouvidorias” é um perfeito trabalho de histiriógrafo e cientista, pois, revivendo o passado, ele nos deu sobre o assunto a ultima palavra.


É um livro que honra o seu autor e a terra em que nasceu.
Fundou e redigiu:
– Correio de Sergipe: diário político, Aracaju, 1890-1891. O primeiro número saiu a 12 de setembro de 1890.
– Jornal do Aracaju (2º): publicação diária. O primeiro número saiu a 12 de abril de 1894.
– Brasil. Corumbá, 1902: periódico semanal. Colaborou no manifesto político do presidente de Mato Grosso, Antonio Paes de Barros, quando foi por este assumida a chefia do seu partido, e nos jornais “Luta”, “Lábaro”, “Mercantil”, “Século”, todos de Porto Alegre; “Gazeta oficial”, “Estado” e “Rebate”, de Cuiabá; no “Sertanejo” e”A Pátria” de Corumbá. Usou na imprensa o pseudônimo de Júlio Iapiranga.


Escreveu:
– Eu e o Dr. Leandro Maciel: No “O Republicano” de 24 de setembro de 1890.
– Ao Eleitorado Sergipano: manifesto político, Aracaju, dezembro de 1911. 5 págs. in. 8º. Não indica onde foi editado.
– Aos meus conterrâneos: manifesto político. No “Correio de Aracaju”, e “Jornal do Povo” de 4 de Janeiro de 1921 e “Diário Oficial” do dia seguinte
– A Capitania de Sergipe e suas Ouvidorias: memória sobre questões de limites (Congresso de Belo Horizonte). Rio de Janeiro, 1919. Papelaria Brasil, VI-411 págs. in. 8º, com 44 mapas intercalados no texto, um índice e uma errata no fim.
–– Limites de Sergipe e da Bahia. Inédito.
►Data de morte: 25 de abril de 1924, no Rio de Janeiro (RJ).

 

FONTE:
GUARANA, Armindo.Diccionario Bio-Bibliographico Sergipano: Rio de Janeiro, 1925.
Esta obra poderá ser encontrada na Biblioteca Ephifânio Dorea - Aracaju-Se.

 
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