PostHeaderIcon Joaquim do Prado Sampaio Leite

Joaquim do Prado de Sampaio Leite, Bacharel – Filho do farmacêutico Joaquim do Prado de Araújo Leite e D. Lídia Carolina Alves Sampaio, é parente próximo, pela linha materna, do grande poeta baiano Antonio de Castro Alves. Nasceu no Aracaju a 3 de junho de 1865.

Estudou primeiras letras na cidade do seu nascimento nas aulas dos professores Cipriano José Pinheiro e Manoel Alves Machado, fazendo o curso secundário no “Atheneu Sergipense”.

Em 1884 matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, onde fez o tirocínio acadêmico, recebendo o grau de bacharel a 8 de março de 1889.

Cursava ainda o 5º ano jurídico quando foi nomeado promotor público da comarca de Japaratuba, removido depois para a de Itabaiana, e mais tarde para a de Aracaju.

Em 1893 foi nomeado secretário do Tribunal da Relação, lugar que ocupou até que foi nomeado juiz de direito da comarca do Lagarto, por decreto de 11 de junho de 1895.

Removido do cargo de juiz de direito do Lagarto para o de Gararu e pouco depois deste para o do Rio Real, deixou de assumir o exercido por estar no gozo de licença no tempo da última remoção e dela não ter tido ciência, sendo considerada vaga a sua vara por decreto de 27 de agosto de 1898. Transportou-se então para o Estado de Pernambuco, sendo ali nomeado juiz municipal do termo da Vitória e em seguida secretário da polícia do mesmo Estado, na gestão do desembargador Antonio Pedro da Silva Marques. Deixando a referida secretaria abriu escritório de advogado, trabalhando nos foros de Camamu, Vitória, Nazaré e Limoeiro.

Em 1905 regressou ao Estado natal, sendo nomeado promotor público da comarca de Maruim, por decreto de 30 de março desse ano e depois lente catedrático de literatura e lógica do “Atheneu Sergipense”, em janeiro de 1907. Com a reorganização do ensino feita pelo presidente Dr. Rodrigues Dória foi designado por ato de 4 de setembro de 1911 para reger a cadeira de psicologia e lógica do mesmo “Atheneu”, passando a lente de lógica e direito público por ato de 27 de setembro de 1912.

Além dos misteres de sua cadeira exerceu também com proficiência a advocacia. Foi deputado à Assembléia Constituinte de Sergipe e é sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, do qual foi o orador em 1917, e sócio correspondente do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco. Redigiu com Antonio de Araújo, Jesuíno Lustosa, João Capistrano e Amâncio Ramos o periódico trimensal “Nova Pátria”, Recife, 1888. Saíram apenas 3 números. Colaborou no “Jornal de Sergipe”, “Correio de Sergipe”, “Jornal do Recife”, “Diário de Pernambuco”, no “O Direito” do Recife, onde públicou os estudos “Sobre os lúcidos intervalos da loucura” e “Da legítima defesa, em matéria criminal”; no “O Estado de Sergipe”, “Folha de Sergipe”, “Correio de Aracaju”, “Diário da Manhã” e outros.

Dotado de grande pendor para os estudos filosóficos, neles tem revelado o seu grande talento, apesar da insuficiência do meio em que vive. Literato e crítico de espírito culto é também poeta de real merecimento, demonstrado em trabalhos que correm impressos. Retraído por gênio, poupa-se ao bulício do meio em que vive, isolando-se em casa, onde deleita com uma palestra erudita os que consigo privam.

Escreveu:
Ensaios: versos, Aracaju, 1882. É a primeira revelação do seu talento poético. Aracaju, 1882. Tip. do “Jornal de Sergipe”.
Lucubrações: versos. Aracaju, 1884, 42 págs. in. 8º pq. Tip. do “Jornal de Sergire”. São produções do ano anterior, de diversas intuições e sem uma idéia assentada sobre escolas, como diz o autor.
Palavras – proferidas no “Gabinete de Leitura de Maruim” por ocasião da festa ultimamente celebrada em homenagem ao Dr. Tobias Barreto de Menezes. Na “Gazeta do Aracaju” de 8 de fevereiro de 1885.
Sobre uma nova intuição do direito. Recife, 1888, 13 págs. in. 16º. Tip. Econômica. Este trabalho foi inspirado pela leitura do livro “Questões Vigentes” de Tobias Barreto, prendendo-se mais restritamente ao artigo por ele traçado “Sobre uma nova intuição do direito”, segundo declara o autor. 290
Retaliações: versos. Sergipe, 1887, 36 págs. in. 32 enumerados. Tip. Comercial de Maruim. O autor era ainda estudante de direito quando públicou este livro.
Vida Sergipana. (Contos cientificistas). Recife, 1903, 67 págs. in. 12º gr. Empresa d’A Província.
Lendas Sergipanas, prefaciadas por Carneiro Vilela: versos. Recife, 1903 – 42 págs. in. 12º. Imprensa Industrial.
Poema do Lar: versos, Aracaju, 1904, 42 págs. in. 12º. Tip. d’O Estado de Sergipe”. Distribuído como brinde da Imprensa Moderna aos seus fregueses.
A Sergipana: folhetim publicado no “Jornal de Sergipe”, de Aracaju, de 21 de fevereiro a 27 de março de 1904.
Estudos e Opiniões. O Senador Ruy Barbosa e o projeto do Código Civil: série de artigos. No mesmo jornal de 17 a 21 de abril de 1904.
Sergipe: são as suas impressões de viagem de Pernambuco ao Aracaju, em 1901. No “O Estado de Sergipe”, de 5 a 12 de abril de 1905. Este trabalhou saiu depois em volume, Maruim, 1906, 83 págs. in. 8º pq. seguida de uma nota final e um índice. Imprensa Econômica de José Andrade.
José de Anchieta (cenas da vida colonial). No “O Estado de Sergipe”, de 28 de junho a 13 de julho de 1905.
Cosmogonia filosófica. No mesmo jornal de 18 a 21 de julho do mesmo ano. É o capítulo final do livro “A filosofia do futuro”, ainda inédito.
Meu álbum: impressões da mocidade. No mesmo jornal de 7 e 14 de outubro de 1905.
Cântico dos Cânticos ou Livro dos Cantares: tradução fragmentária do poema hebreu por Salomão. No mesmo jornal, de 1 a 3 e 5 de maio de 1906. Este trabalho foi depois publicado em folheto com o título geral de “Evangeliários” conjuntamente às “Lanças e Troféus” do Dr. Nobre de Lacerda. Aracaju, 1908. 28 págs. in. 8º pq. Tipografia Comercial.
Maculada: conto. No “O Estado de Sergipe”, de 2 a 5 de outubro de 1906.
A filosofia do futuro. Que é a filosofia? No “Os Anais”, redigidos por Domingos Olímpio, Rio de Janeiro, ano III, 1906, nº 73, págs. 149 à 151.
A filosofia do futuro. Arquitetônica do universo. Na mesma revista nº 47, págs. 167 a 169.
A filosofia do futuro. Arquitetônica das idéias. Idem nº 75, págs. 178 a 180.
A filosofia do universo. Arquitetônica dualística. Idem nº 76, págs. 194 a 195.
A filosofia do futuro. Arquitetônica nomística. Idem nº 77, págs. 214 a 216.
A filosofia do futuro. Arquitetônica Teleomecanicista. Idem, nº 78, págs. 236 e 237.
A filosofia do futuro. (Sem subtítulo). Idem, nº 79 e 80, págs. 242, 243, 258 e 259.
Arquitetônica dualista: excerto da “A Filosofia do futuro”. No “O Estado de Sergipe”, de 15 de dezembro de 1906.
Cosmogonia literária e gênesis de suas primeiras manifestações: excerto das “Palestras literárias”. No mesmo jornal de 18 e 19 do mesmo mês.
Crítica literária e científica. No mesmo jornal de 21 e 22 de dezembro de 1906.
Epopéias coletivas (Notas de estudo). No mesmo jornal, de 9 e 10 de janeiro de 1907.
Formigas de Asas: seção mantida no mesmo jornal de 11 de janeiro de 1907 em diante com o pseudônimo de Grachus.
Dos elementos etiológicos do povo brasileiro e sua euritmia literária. No mesmo jornal de 12 a 17 de janeiro de 1907.
A Sergipana. (Escorço de romance), à M. P. de Oliveira Teles. No mesmo jornal de 17 a 25 de janeiro de 1907. Não é o mesmo trabalho referido linhas atrás com o mesmo título.
S. João: conto. Edição definitiva. No mesmo jornal de 29 de janeiro a 1º de fevereiro de 1907.
Subindo o S. Francisco. No mesmo jornal de 15 e 16 de fevereiro de 1907.
O poeta e a mágoa: poema. No mesmo jornal de 24 de março de 1907.
A raça, o clima, o solo, a fauna, a flora e a história como condições físico-sociais determinadoras do espírito nacional. Idem de 5 de abril de 1907.
Processo literário. Ontogenia e filogenia. (Notas de estudos). Idem de 12 de abril de 1907.
Ensaio sobre a música nacional brasileira. Idem de 6 a 26 de abril de 1907.
Os nosso filósofos. Idem, de 9 a 17 de maio de 1907.
Os nossos oradores. Na “Folha de Sergipe”, de 19 de maio a 11 de julho de 1907, com interrupções.
Os nossos romancistas. No “O Estado de Sergipe” 12 a 17 de julho de 1907.
Orate fratres! Orate fratres! No mesmo jornal, de 8 e 10 de novembro de 1907.
Ensaios de lógica. Aracaju, 1907, 83 págs. in. 8º. Tip. do “Estado de Sergipe” -– Com uma errata no fim.
Tobias Barreto de Menezes (O Filósofo) –Idem de 14 e 15 de janeiro de 1908.
A Eloqüência no Brasil. Idem de 1, 2, 5, 6 e 7 de fevereiro de 1908.
A literatura em Sergipe. Estudo etno-psicológico. Idem de 26 de abril a 3 de junho de 1908 com interrupções. Este trabalho foi publicado em volume com o título “A Literatura Sergipana”. Maruim, 1908, 111 págs. in. 8º pq. tendo um índice no fim. Imprensa Econômica de Gouvêa & Cia.
A Lira Sergipana. Idem, de 20 a 23 de junho de 1908.
Alocução proferida em nome da Congregação na solenidade do assentamento da primeira pedra no edifício do Atheneu Sergipense. Idem, de 18 de setembro de 1908.
Ligeiro escorço antropo-geográfico sergipano. Idem, de 7 de marco de 1909. Saiu na “Revista Americana”, do Rio de Janeiro, de junho de 1911 com o título simplificado de Escorço de antropo-geografia sergipana, nas págs. 405 a 419.
A propósito de um artista-filósofo. Idem, de 13 de marco de 1909.
Sobre os “Zoilos e Estetas”. Idem, de 4 de abril de 1909.
A literatura como criação humana e manifestação social. Lição preambular proferida na instalação da cadeira de Literatura no Atheneu Sergipense. Idem, de 14 de abril de 1909. Este trabalho foi publicado depois conjuntamente a outro no opúsculo “Duas lições de literatura”, segundo o programa do “Ginásio Nacional”. Aracaju, 1911, 78 págs. in. 16º. Editor: Antonio Xavier de Assis. Saiu também na “Revista Americana”, do Rio de Janeiro, tomo III (1910) págs. 104 a 108.
Escorço de literatura geral. Domínio da literatura; gênese de suas primeiras
manifestações: epopéias coletivas e poemas individuais. Idem, de 18 de abril de l909.
Escorço de literatura geral. Da língua portuguesa como formação literária e elemento de expansão nacional. Idem, de 25 de abril de 1909.
Escorço de literatura geral. Da arquitetônica clássica, da renascença, do romantismo, do naturalismo (fisiológico e psicológico) e do nomismo literário. Idem, de 2 de maio de 1909.
Escorço de literatura geral. De Lessing aos nossos dias. Idem, de 22 de maio de 1909.
Escorço de literatura geral. O folclorismo perante a evolução do espírito humano. Idem, de 26 de maio de 1909.
Escorço de literatura geral. Evolução da arte e da literatura. Idem, de 6 de junho de 1909.
Escorço de literatura geral. A etnografia perante a literatura. Idem, de 18 de junho de 1909.
A propósito de um novo estudo sobre Jesus. Idem. de 25 de agosto de 1909.
Nulidades de hipoteca (Trabalho forense): Alegações finais e razões de apelação em
prol de menores. Sergipe – Aracaju, 1909. 72 págs. in 8º pq. Não diz a tipografia onde foi Impresso.
A lógica perante a ciência. No “O Estado de Sergipe” de 19 de janeiro de 1910.
A nova concepção da matéria (Ao Desembargador Homero de Oliveira). Idem, de 20 de janeiro de 1910.
Criticismo e mecanismo. Idem, de 18 de junho de 1910.
As lendas sergipanas. Folclorismo. Vista sintética sobre o folclore sergipano. Aspectos étnicos, etiológicos e éticos de suas lendas. Idem, de 21 a 25 de janeiro de 1912.
Álbum de um intelectual. Na “Via-Lactea”, revista mensal da Bahia, págs. 17 a 22, do nº 1; 54 e 55, do nº 2; 106 e 107 do nº 8; 159 e 180, do nº 4; 248 a 251 do nº 6; todos de 1912. O primeiro artigo traz a epígrafe A filosofia de um cético. Não continuou por ter esta
revista suspendido a públicação.
Geografia social sergipana. (Ao Exmo. Sr. General José de Siqueira Menezes, d. Presidente do Estado e Presidente de honra do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. No “Diário da Manhã”, de 10 a 14 de setembro de 1913.
Sílvio Romero. (O crítico). Idem, de 1º de novembro de 1913.
Discurso proferido pelo orador do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe por ocasião de ser inaugurado a 14 de julho de 1914 o novo edifício da Biblioteca Pública. Idem, de 16 de julho de 1914.
Discurso lido a 13 de dezembro de 1914 pelo paraninfo da turma dos diplomados no Atheneu Sergipense, por ocasião de colarem o grau. No “Diário da Manhã” e no “O Estado de Sergipe”, de 15 do citado mês.
Causas da expansão territorial sergipense e seus consectários jurídico-sociais: conferência realizada na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe a 25 de março de 1915. No “O Estado de Sergipe”, de 28 a 30 de abril seguinte e na revista mensal “Ciências e Artes”, do Rio de Janeiro, págs. 129 a 133 do nº de setembro de 1915.
Concepção mecânica e teleológica da psicologia. No “Diário da Manhã”, de 22 e 23 de junho de 1915.
Geografia social sergipana: memória apresentada ao 4º Congresso Brasileiro de Geografia, reunida na cidade do Recife a 7 de setembro de 1915.
Evolução da Filosofia. No “Diário da Manhã”, de 1º de dezembro de 1915.
Discurso proferido no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe na noite de 30 de janeiro de 1916. No “O Estado de Sergipe”, de 1º de fevereiro seguinte.
Do folclore sergipano e aspectos etno-psicológicos de suas lendas: conferência realizada no salão do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe na noite de 23 de abril de 1916. (Ao Dr. Artur da Silva Rego, o patrício ilustre e amigo dedicado). No “Diário da Manhã”, de 25 a 27 do referido mês.
Saudação do orador oficial do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe ao Exmo. Barão Homem de Melo na sua chegada ao Aracaju a 11 de março de 1917. No mesmo jornal, do dia 17 seguinte.
Discurso do orador oficial do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe proferido a 17 de março de 1917 no ato da inauguração do monumento à memória do fundador do Aracaju, Ignácio Joaquim Barbosa. No mesmo jornal do dia 20 seguinte.
Discurso pronunciado na sessão magna do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe no dia 15 de agosto de 1917, em saudação ao Dr. Rocha Pombo. No “O Estado de Sergipe”, do dia 19 seguinte.

►Data de morte: 13 de fevereiro de 1932, em Aracaju (SE).

FONTE:
GUARANA, Armindo.Diccionario Bio-Bibliographico Sergipano: Rio de Janeiro, 1925.
Esta obra poderá ser encontrada na Biblioteca Ephifânio Dorea - Aracaju-Se.

 
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